Armando Cañizales na Puente Llaguno

sábado, 13 de maio de 2017

A peça da Antena1 comovia. Invulgarmente longa para um noticiário de rádio começava por contextualizar a intervenção pública de Dudamel. Referia a sua página no facebook pintada a negro, tendo como imagem de capa um rectângulo preto sobre o qual se podia (e pode) ler o nome do jovem músico assassinado: Armando Cañizales Carrillo. A voz da jornalista alternou com a voz do próprio Dudamel, extraída de uma declaração pública divulgada dias antes da morte de Armando Cañizales. Em fundo música, creio que interpretada por uma orquestra do projecto "El sistema" no contexto do qual Dudamel e Cañizales se haviam encontrado. Como conclusão a ideia da inutilidade e da injustiça do crime, o assassinato de um jovem músico durante uma manifestação pacífica contra Maduro e o governo do PSUV.

Acontece que, como acontece frequentemente a notícias divulgadas por cá sobre o que se vai passando na Venezuela, a morte de Armando Cañizales Carrillo pode não ter sido bem como nos foram contando por cá. E quem o escreve é o insuspeito jornal conservador espanhol "La Vanguardia":

Seja abençoada a violência policial e louvados os agressores

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Para mim seria líquido que ver uma pessoa a ser asfixiada até à inconsciência mereceria o repúdio generalizado de toda a gente. Essa mesma gente que - isto a propósito da data - é maioritariamente crente em valores de bondade e amor ao próximo que professa a religião católica.

Devo ter-me enganado redondamente, a maioria preferiu a parte da ira e da vingança até ao ridículo e pergunta «mas o que estava ele a fazer?», «o militar estava a cumprir o seu dever!», «temos que saber se ele não estava a cometer um crime». Temos? Vi uma mensagem de um jornalista a defender em absoluto a acção de um militar porque o cidadão estaria a «coagir» a funcionária a fazer-lhe o IRS - o que nós vemos é uma pessoa do outro lado de um balcão bem alto - e a incomodá-la (bem, já sei o que fazer da próxima vez que a Autoridade Tributária violar todos os meus direitos de defesa, o que não é raro). Ainda disse o «mata leão» é uma técnica militar usada para a imobilização e não mata. Fiquei muito mais descansada.

É "só" mais um caso da violência policial que não existe

terça-feira, 9 de maio de 2017

É uma repartição pública, no Montijo.

Um cidadão dirige-se à repartição e uma pessoa que diz ser agente à paisana - sem comprovar se o é e o que está ali a fazer - diz que a pessoa não pode filmar. É verdade, não pode filmar. E no vídeo ele diz que vai parar de filmar e desligar o telefone.

Maio130: A História do 1º de Maio

segunda-feira, 8 de maio de 2017


Vídeo feito para o espectáculo "Maio 130", apresentado na Festa do Avante (Café-Concerto de Lisboa) a 4 de Setembro de 2016.

O espectáculo feito "a partir dos acontecimentos de 1886 em Chicago, que marcaram a luta dos trabalhadores e definiram o 1.º de Maio como o seu dia internacional de celebração e de luta", cruzou "componentes documentais, poéticas e artísticas de diferentes geografias e momentos históricos.

Vídeo de Ana Nicolau, texto de Joana Manuel.
Locução de Joana Manuel e André Albuquerque.

A escolha de Hobson

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O capitalismo reduz a democracia a um debate entre Macron e Le Pen, entre Merkel e Le Pen, entre Macron e Schäuble, entre um corte salarial ou o desemprego, entre levar um murro no estômago ou um pontapé na cara, entre o neo-liberalismo e o fascismo.

O derradeiro debate antes da segunda volta das eleições presidenciais em França foi o último acto de uma farsa grotesca: Macron, que alguns queriam que fosse a alternativa ao fascismo, assumiu-se como o banqueiro que é e cantou loas à austeridade e à destruição das funções sociais do Estado; já Le Pen, não precisou de se assumir como a fascista que é: bastou-lhe recordar os franceses de que duas décadas a evitar a Frente Nacional votando no neo-liberalismo foram duas décadas a ir de mal para pior.

O «crime» de Clemente Alves

terça-feira, 2 de maio de 2017

Segundo quase todos os jornais, Clemente Alves, vereador da CDU na Câmara Municipal de Cascais, cometeu hoje um crime, casuisticamente inserido na secção noticiosa homónima e de cujo auto constam: «manifestação ilegal», «partir para a agressão» contra um agente e «impedir o trabalho das máquinas». Há, à partida, um problema óbvio nestas notícias: em Portugal não há manifestações ilegais (não é uma questão de opinião). Outra questão se impõe: se os jornalistas que escreveram estas peças (quase todas iguais porque roubadas umas às outras) não estavam lá, como é que souberam o que aconteceu?

A resposta certa é: «não sabem». Limitaram-se a pedir a versão do PSD de Cascais e a contrastá-la com a da polícia que, coincidente mente, é a mesma. Melhor trabalho teriam feito se tivessem perguntado a quem lá esteve o que realmente se passou. E até podiam deixar a notícia na secção «crime», porque é, de facto, de um crime que se trata.